Jean-Paul Bournet
Você surgiu, não sei ao certo de onde ou quando, nem por que. Mas certamente deve se lembrar daquela flor amarela que surgiu em nosso caminho quando procurávamos o amor. Lembra-se bem da cor? Um amarelo pálido, castigado... Nós paramos, olhamos... E a deixamos a apreciar delicadamente os outros participantes daquela estranha caminhada sem destino...
Sei que você voltará a cruzar por tais caminhos.
Sei que sentir-se-á inclinada a esquecê-la e pisá-la... Mas peço-lhe que não faça tal coisa!
Seja você de onde for, venha de onde vier, traga consigo a flor amarela que achou no caminho... Não a pise, não a maltrate, não a despreze nem jogue fora.
Não m’a dê, se assim o desejar, mas guarde-a para si mesma. Olhe-a profundamente. Descubra-a com muita paciência. Ame-a como sentir-se-ia capaz ao encontrar sua reservada paixão... Mas não a beije, no entanto, que ela murchará!
Sim! Não se espante com o que eu disse. Não! Não quis ofendê-la, - sinceramente! Mas não a beije... Ela detesta demonstrações de muito carinho. Ela não resistiria a sua paixão!
Repouse-a em um simples copo com água, mas tempere o líquido com sinceridade e amor... Despeje o conteúdo em um frasco de amizades sinceras e humildes. Misture-o ao odor amargo de grandes saudades... Nesse vaso ela florescerá, com certeza, dando muito mais vida ao seu imenso mundo de fantasias... Ela renascerá e abandonará o materialismo mundano de nossas sofridas e desgostosas vidas... Ela viverá como nenhum de nós e estará tão liberta como nós já fomos, um dia, no ventre materno...
Ame-a e repouse-a em um colchão de penas macias. Deixe-a repousar por deliciosos momentos ao seu lado. Dê a ela o carinho que dispensou aos que a cercaram.
Entregue-a depois à guarda do amor que existiu um dia... Deixe-a então comigo, e parta novamente para o seu destino...
Siga pela estrada que cobre o verde... Siga sem mágoas, vá sem receios... Suas ilusões estarão bem guardadas comigo. Serei então o guardião de sua felicidade! Estarei onde você sempre me encontrou... Mas com a missão de cuidar eternamente dessa sua ilusão. Vá sem medo. Siga sem rancor.
Aos primeiros passos pela nova estrada tenha em sua mente a forma da flor. Lembre-se que era amarela, pense no perfume que exalava... Aos poucos sua mente saudosa estará cônscia do mal que desejou e aplicou sem sequer se dar conta do que fez... Aos poucos suas ilusões estarão abaladas pelo rufar de coléricos tambores.
Suas alegrias estarão dissipadas pelo rugir de feras imaginadas... Mas vá assim mesmo. Não esmoreça diante da ilusão do real. Siga contente pelo caminho da luz. Siga com amor o traçado da sinceridade, se o encontrar.
Peça pela luz, peça pela vida, peça pelo amor. Vá e continue a pensar... Continue a viver... Continue a sofrer...
Mas antes de ir aceite essa outra flor. Não é amarela como a outra, mas sim vermelha. Permaneça a ela ligada, como se a mim tivesse revelado a sua paixão... Pense em nosso único encontro como se arrancasse suas pétalas aos poucos... Sinta saudades... Sofra também... Estarei de posse da flor amarela... Nunca se esqueça disso... Mas vá...
(Todos os conteúdos desse BLOG estão registrados pelo autor, Jean-Paul Bournet, e fazem parte de seu próximo livro: "Devaneios adolescentes")
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